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A carta da Máxima e o ódio do filho do patrão

O filho do dono da biqueira do 15

Alguns nomes de lugares e pessoas foram mudados… ou não, nem me lembro mais.

Quinze anos! Quinze anos!

João estava puto, amassou o papel e esmurrou a parede. Deu cinco ou seis passos no quarto, deitou-se na cama, de barriga para o ar, pensando. Depois foi à janela, e ficou olhando com muito ódio para a rua.

  Você talvez imagine que fosse a carta de uma namorada, mas não: era uma mensagem do pai de João, que estava preso em uma Máxima, e a enviou para o filho por meio de uma garota que fazia o pombo-correio para Biel, patrão da biqueira da rua São José e tio de João.

Talvez você conheça o João que mora na Cidade Nova, mas se não conhecer, eu te conto, daí, se você for daqui, vai saber quem é ele. João é o filho mais novo dos Gonçalves da rua Dois, cujos pais, irmãos e a irmã estão presos por tráfico. Até o cachorro, chamado Maconha, foi recolhido para a Zoonoses depois que mordeu um policial — o João mesmo só escapou pois “era de menor”.

Biel somou o fluxo da biqueira da rua Dois e se comprometeu a cuidar de João, mas o garoto preferiu morar sozinho. Biel paga pontualmente o valor acertado pela facção Primeiro Comando da Capital para o garoto.

Uma mensagem do presídio de segurança máxima

João tão depressa recebe como gasta o dinheiro. O que acontece é que a maior parte do tempo vive duro, mas para quem tem quinze anos isso não é problema nenhum. A única zica é que outro dia ele acabou comprando algo que não devia e não precisava.

  Comprou por pura empolgação, só que tinha que pagar, e foi pedir para Biel o dinheiro. Este, em vez de só dizer “não”, falou com o pai de João, dizendo que o garoto estava pondo os pés pelas mãos e gastando o dinheiro da Família em besteiras. E então ele recebeu aquela carta:
“Tô desde 1992 longe da quebrada, tá ligado? Seis passagens, mais tranca do que praticamente solto. Agora deu uma normatizada e tem uns aparelhinhos aqui... Tem uma tela dentro da cela, tá ligado? Tô sozinho dentro duma cela pequenininha. Oh, o barato entra dia, sai dia... Aí, agora deixa eu falá prô cê, a fita é o seguinte, se liga só na fita, você não tem tempo não para curtir não. Procura ganhar um dinheiro, daqui uns dias aí, vai estar guardando dinheiro no banco, comprando um carro, reformando sua casa, ou construindo uma casa aí para você, tendeu? Agora, se liga, não tem conversa errada, tem gente que não pensa no coletivo e só quer ostentar enquanto os irmãos passam fome em alguns estados e sofrem a opressão aqui dentro das muralhas, não tá certo não. Você tem que trabalhar pra conseguir seu progresso.”
Biel não só não pagou a conta que o moleque fez como ainda falou para o pai dele, e agora, por culpa disso, o velho tinha mandado de dentro do presídio ele arranjar um trabalho — maldita hora que gastou aquele dinheiro!

Ódio e vingança — só se for agora! Só que não!

João ainda estava olhando pela janela, mas reparou que algumas garotas que estavam do outro lado da rua o olhavam com medo, mas pudera, ele era pura fúria, o tipo olhar de ódio que um garoto de quinze anos pode ter.


  Tinha acabado de acordar, já passava do meio-dia, iria comer alguma coisa e seguir até a casa de Biel para arrebentar com ele. Ninguém tentaria enfrentá-lo. Mas antes precisava comer alguma coisa, e deveria ter algo na geladeira.

Comeu algo gelado mesmo, e tremendo de raiva. Vestiu-se e saiu com tanta pressa que até esqueceu de pegar o celular, e então teve que voltar. Quem sofreu com isso foi a porta que levou um chute e a parede que foi novamente esmurrada. Saiu afinal.

Eram os quinze anos que fazia seu sangue ferver, afinal ele não era mais criança, não iria engolir a afronta. Esse era o momento para pegar de volta a biqueira da Dois. A rua São João ficava no final da rua Dois, iria resolver isso rápido — poucas conversas.

As ideias de seus amigos da quebrada

Quando dobrou a esquina da rua São João com a Dois, ouviu uma voz chamando por ele, mas nem parou. Seguiu para cumprir sua missão, mas alguém veio correndo por trás e colocou a mão no seu ombro: era Lucas.

  Lucas era um amigo de verdade, mas quase teve que arrastá-lo para dentro do bar, onde estavam mais três rapazes em volta de uma mesa de bilhar — eram todos seus colegas de zoeira desde que eram criancinhas. 

Perguntaram-lhe aonde iria com aquela raiva toda. João respondeu que estava indo arrebentar um cara, e os três colegas falaram que iriam junto — só que João falou que não, que era coisa dele e que ele tinha que resolver aquilo sozinho.

Lucas, João e seus colegas começaram uma partida de bilhar, e os garotos tentavam tirar do filho do Gonçalves quem seria “o cara que iria tomar um pau”, mas ele não dizia — todos acabaram apostando que seria o Henrique da rua Três.

O bairro inteiro sabia que João estava a fim da Fran, a filha de Biel, e o Henrique, que estudava na mesma classe que ela, a acompanhava até em casa todas as noites — diziam que ele era gay, mas João queria arrebentá-lo mesmo assim.

As conversas que rolam à volta da mesa de bilhar

Aí a conversa foi sobre as novinhas da New City e quem estava ficando com quem. Uma das partidas foi interrompida porque começou entre eles a discussão se Henrique era ou não era gay, e se ele merecia ou não tomar um pau.

  Dez da noite chegou, e a escola que a Fran e o Henrique estudavam tocava o sinal às dez e dez, mas os portões já deviam estar abertos. Se quisessem chegar a tempo de pegar os dois saindo, teriam que andar rápido.

Nem tinham saído do bar, pararam duas viaturas do tático, “mãos na cabeça” e tudo mais — não ia ser essa noite que o Henrique iria ter que encarar o João, mas não tem problema, nada é problema de verdade para quem tem quinze anos. Amanhã o Henrique vai aprender a não dar uma de talarico.

O garoto estava se queimando por dentro, pensando que sua garota estaria naquele momento conversando com o inimigo, e nem prestou atenção que o policial estava falando com ele.

Moleque da quebrada sabe como funciona

O tapa que levou na cara quase o derrubou — era o cabo Nunes, que vivia abordando ele, e sempre passando carão, pois João nunca estava com nada. O policial não se conformava, e agora se vingava, aproveitando o vacilo.

  João conhecia como funcionava a coisa. O ódio tinha que ser engolido, e ele precisava continuar com o “não, senhor” e “sim, senhor”, senão Nunes o jogava na viatura e iria até a casa dele — não tinha nada lá, mas era a cara do policial plantar arma ou drogas.

Depois de zoarem o quanto quiseram da molecada, e não encontrando nada, foram embora. João dizia para todos ali que isso não iria ficar assim, ele mesmo ia acabar com a raça maldita do cabo Nunes, custasse o que custasse.

“Se meu pai ou se o Biel estivessem aqui”, falou agitado, com o olhar de ódio, enquanto esmurrava a parede do bar, “o tratamento dos ‘vermes’ seria outro, mas agora eles vão aprender a me respeitar.”

Quando os inimigos passam a ser aliados

João contou seu plano para Lucas e seus colegas:
“Vou pedir para o Biel uma arma e acabar com a raça do desgraçado do Nunes. A Fran e o Henrique nunca são abordados, então vou pedir para o Henrique ficar com o canhão, assim não tem perigo de me pegarem, volto com eles da escola, e se passar a viatura do Nunes — já era.” “Vou ter que pedir para meu pai conseguir autorização da facção para deixar eu matar o Nunes; mas agora é tarde, amanhã a gente planeja os detalhes para acabar com a raça desse cão, — amanhã a gente se reúne aqui para trocar umas ideias.”
Quinze anos! Quinze anos!


Baseado no texto “Vinte Anos! Vinte Anos!”, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1884.

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