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Mostrando postagens de 2021

Carta de uma mãe ex-PCCeia

Quando fui batizada… eu não tenho que esconder quem eu sou, independente de que tá ou quem não tá me lendo, sei que corro risco né? Só de tá contando isso para você e não saber da onde tu vem, mas em cima de minha pureza aí, em cima de um item aí, é que resolvi soltar a voz para você. Tô com meu filho de 15 anos que tá se envolvendo aí com o mundo do crime, aonde eu parei ele aí várias vezes para não se envolver como nós. Eu já fui dona de biqueira, do crime, e nós conhece aí a ideologia — eu fui onze anos PCCeia . Hoje trabalho em casa de uma família, mas tô vendo um filho meu aí se ingressar. Esse filho se encontra aí me desrespeitando, enfrentando, falando palavras para mim que magoam, que não é compatível aí ao nosso crime das antigas. Porque nós é o certo, o justo e o correto . Eu sou, tenho quase 50 anos e não estou aqui para pagar simpatia para ninguém, mas sim, para passar o que é o certo e não é por que é meu filho que tenho que passar a mão na cabeça. Tá me dando o mai

Graham Denyer Willis e a facção PCC 1533

Já citei outras vezes aqui esse trabalho de Graham Denyer Willis , mas com o lançamento de uma nova edição, vale trazer novamente aqui uma sinopse do The Killing Consensus: Police, Organized Crime, and the Regulation of Life and Death in Urban Brazil . A lógica paralela de assassinatos da a polícia e do crime organizado A maioria de nós traz de nossa formação cultural que é direito do Estado matar, quando necessário, através da ação das forças policiais no cumprimento da manutenção da segurança pública, mas Graham Denyer Willis explica que no Brasil, os assassinatos e a arbitragem da ordem social muitas vezes é conduzida por dois grupos: pela polícia e pelo crime organizado. Com base em três anos de trabalho de campo etnográfico, o livro de Willis traça como os investigadores policiais categorizam dois tipos de homicídio: o primeiro resultante da resistência à prisão policial e a segunda nas mãos da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) : A morte nas mãos da políci

O caso do massacre da Castelinho vai para a CIDH

Em 5 de março de 2002, doze integrantes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital foram mortos em um ônibus na Castelinho em situação similar, e ainda mais emblemático, os 111 prisioneiros chacinados durante a rebelião de 1992 no Presídio do Carandiru . Os policiais militares ultrapassaram o limite socialmente aceito, mas, mesmo assim, não deu em nada e todos acabaram absolvidos pela Justiça em novembro de 2014. Porém, para o Ministério Público Estadual, a Operação Castelinho foi uma “farsa macabra” e “a maior farsa da história policial no Brasil”. “Os caras da PM, que disseram que trocaram tiros, são tudo pau mandado, trocaram as mães deles!” — interceptação telefônica Os corpos foram movidos e as armas sumiram do Fórum da Comarca de Itu para que não fosse possível fazer a perícia, e acertos foram feitos para que as farsa fosse encoberta, mas agora, um passo tímido foi dado para o esclarecimento, com a apresentação do caso Castelinho a Comissão Interamericana de Direi
O número 1533 ou 15.3.3 utilizado para designar o Primeiro Comando da Capital se refere colocação das letras no alfabeto: 15 – P de Primeiro 3 – C de Comando 3 – C de Capital O P , que é a letra de 16ª posição no alfabeto pelo novo acordo ortográfico da língua portuguesa de 1990 que incluiu oficialmente o K entre o J e o L . Pode-se argumentar que é o acordo ortográfico vigorou a partir de 2008, mas, a razão de ser 15 é mais simples: Na tranca ninguém deu a mínima bola para esse detalhe. Alguém cantou o abecedário de cabeça e contou nos dedos, deu 15 e “já era”. Tanto no Estatuto do PCC de 1987 quanto na versão de 2007 não consta os números 1533 , no entanto na Cartilha de Conscientização da Família de 2007 consta: Essa é a evolução para uma geração consciente, aperfeiçoando nossas deficiências, suprindo a carência do conhecimento, nos apoiando maciçamente na família 15.3.3 e na nossa família de sangue. Assim superamos nossas dificuldades e conquistamos o que é nosso

O Primeiro Grupo Catarinense (PGC)

O Comando Vermelho do Rio de Janeiro ( CV ), no intuito de lucrar e enfraquecer o Primeiro Comando da Capital de São Paulo ( PCC ), vende armas e drogas para o Primeiro Grupo Catarinense de Santa Catarina ( PGC ). Desde junho de 2016, com a morte de Jorge Rafaat Toumani e o fim da parceria entre o PCC e o CV , uma sangrenta guerra entre as duas organizações criminosas é travada e o PGC escolheu seu lado desde o início: o CV . O Primeiro Comando da Capital tem interesse em dominar o mundo do crime do barriga-verde para garantir o uso seguro dos portos e entrepostos catarinenses, desafogando as exportações pelo porto de Santos e dificultando a ação policial. O surgimento do Primeiro Grupo Catarinense (PGC) A organização criminosa Primeiro Grupo Catarinense surgiu em 2003 se rebelando contra as condições carcerárias dos detentos na Penitenciária de Florianópolis e posteriormente passou a atuar no mundo do crime. A facção possui estatuto que rege suas atividades e uma estrutur

O PCC e a curva de homicídio no Triângulo Mineiro

Gabriel Feltran , é o autor dos livros Irmãos: Uma história do PCC , Fronteiras de tensão: Política e violência nas periferias de São Paulo , além de ter colaborado em vários outros, é reconhecidamente um dos maiores especialistas quando o assunto é Primeiro Comando da Capital . Atualmente, Gabriel é o pesquisador responsável por um estudo sobre o impacto da facção paulista no Triângulo Mineiro , no qual orienta Thalia Giovanna Marques de Sousa pelo Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) : Tragédia e transformação: o PCC e as curvas de homicídio no Triângulo Mineiro/MG Há vinte anos, o Primeiro Comando da Capital , passou dominar hegemonicamente o mundo do crime no estado de São Paulo , o que reduziu em mais de 66% as taxas de homicídio no estado. A facção nasceu e se fortaleceu sob um Estado policialesco que utilizou como política de segurança pública o encarceramento em massa das populações periféricas. Que a facção PCC 1533

A facção PCC 1533 e Aarão do Complexo de Israel

O ativista russo de direitos humanos Artemiy Semenovskiy ( Артемий Семеновский ) comentou no grupo de WhatsApp do site que recebeu informações que Manaus teria sido dominada pelo Comando Vermelho (CV). Fiquei intrigado. Há muito rola por lá a guerra entre as facções, mas a definição do conflito não me parecia estar próxima, apesar de me preocupar com a postura de grupos que antes se aliavam ao PCC : Guardiões do Estado GDE e o Bonde dos 40 B-40 . O GDE passou para a neutralidade e o B-40 tornou-se inimigo, matando integrantes e saqueando suas biqueiras do PCC , enquanto a antes poderosa Família do Norte FDN se dissolve. A resposta para essa intrincada e bilionária disputa pelo poder e pelos negócios nas regiões Norte e Nordeste pode estar nas comunidades do Complexo de Israel CDI no Rio de Janeiro , como me fez ver o canal Band Net News . O Complexo de Israel é um grupo criminoso carioca, contrário ao Comando Vermelho, e que, apesar de manter parceria com Primeiro Comand

Morte na guerra: Primeiro Comando da Capital Vs Bonde dos 40

Alex de Oliveira Souza morreu e a imprensa só tratou ele como mais um moleque sem importância. Não é assim e não é só isso. Ficam de brincadeira, pegando a foto do moleque morto colocando para ganhar audiência, sem respeito. Esses que pagam pau para os políticos e para a polícia tem que lavar a boca para falar de quem está na rua garantindo a sobrevivência da sua família. Colocaram a foto do moleque morto, mas nem foram procurar saber quem ele era — todos os sites repetiram a mesma história que nem papagaios treinados. Se perguntassem descobririam que ele era mais um moleque que não queria viver de joelhos. Se perguntassem ficariam sabendo que ele queria ser espelho para os garotos do Bosque Sul de Teresina. Ele era mais um que não queria mais sentir na pele esse maldito preconceito que cada moleque sofre quando está no trampo ou quando anda nas ruas do centro ou do shopping. Era disso que ele falava: do progresso dele e da família, de ficar com os irmãos, e de correr pelo la

A facção PCC e a dinâmica do crime transnacional

Entendendo o crime a partir da facção PCC 1533 Pesquisadores do InSight Crime analisaram a mecânica do crime organizado transnacional no Cone Sul através do processo de expansão da facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital . Às informações passadas pelos pesquisadores Steven Dudley e Vinícius Madureira sob a mediação da professora Camila Nunes Dias somo outras para chegar às conclusões deste texto. Para assistir ao vídeo do seminário em português: “Explorando a profundidad el crimen organizado en Brasil y sus fronteras” Facção PCC 1533: estratégia de domínio Com mais de 10 mil integrantes só no estado de São Paulo e quase três décadas de história, a facção paulista gere a vida dentro das muralhas, assim como, a partir de suas biqueiras, as comunidades periféricas ou marginalizadas. Somando negociação e violência extrema, a organização paulatinamente chegou a todos os recantos do país, com maior ou menor presença, de acordo com a realidade local e de seus interes