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Mostrando postagens de Janeiro, 2021

Policiais e PCCs seriam vasos de honra ou desonra?

 PCCs e policiais: dois lados da mesma moeda Tanto você quanto eu já tivemos a experiência de estar dos dois lados de um mesmo balcão — por vezes somos consumidores de serviços e produtos que nós mesmos prestamos, comercializamos ou fabricamos. Seguindo os caminhos que a vida traçou, tive a oportunidade de conhecer o mundo do crime: tanto no ambiente policial e judicial quanto na caminhada do Primeiro Comando da Capital (PCC) . Acompanhei garotos sem ódio no coração começando a trilhar a profissão no mundo do crime e nas forças de segurança: alguns apenas buscavam sustentar seus próprios gastos, enquanto outros entravam nessa por ideologia. Ler sobre o “Experimento de aprisionamento de Stanford” foi ler sobre coisas que eu mesmo vivenciei — as transformações de personalidade descritas por Philip Zimbardo foram aquelas que vivenciei na polícia e na facção PCC. PCCs e policiais: agindo de forma nunca esperada Eu não sei se uma pessoa nasce boa e a sociedade a corrompe, ou se nasce e

A facção PCC 1533, Bolsonaro e a Tríplice Fronteira

PCC: não há solução simples para problema complexo O combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) não deixará os Estados nacionais da Tríplice Fronteira (TF) entre Argentina, Brasil e Paraguai mais próximos de eliminar o crime organizado da região. O ativista russo Artemiy Semenovskiy me questionou sobre uma possível ligação entre as lideranças da facção paulista PCC 1533 com os integrantes da facção carioca Comando Vermelho , na região da TF. A resposta curta é: “faça o que eu mando, não faça o que eu faço”. A resposta longa é: Tudo começou com... O assassinato, na região da Tríplice Fronteira , de Jorge Rafaat Toumani , em 2016 marcou o fim da parceria entre integrantes do Primeiro Comando da Capital e da facção Comando Vermelho (CV) . … que virou uma sangrenta guerra ... Inimigos de ambos os lados são caçados, capturados, torturados e mortos, tanto no Brasil quanto no Paraguai, na Bolívia e até na Argentina — somando milhares de mortos . … mas enquanto os moleques mo

O PCC Koringa desacreditou que seria preso

Chris Dalby para o InSigh Crime — em tradução livre O suposto líder do PCC no Paraguai, conhecido como “Koringa”, foi extraditado ao Brasil depois de alguns dias tumultuosos nos quais membros da organização criminosa paulista encenaram uma tentativa ousada, mas sem sucesso, de livrá-lo da prisão. Giovanni Barbosa da Silva, vulgo “Koringa”, foi detido no dia 9 de janeiro pela polícia paraguaia na cidade fronteiriça de Pedro Juan Caballero. Segundo nota da Procuradoria-Geral da República, ele vinha sendo procurado por autoridades do Paraguai desde junho de 2020 sob a acusação de organização criminosa, narcotráfico e tráfico de armas. Barbosa da Silva era considerado o comandante paraguaio do Primeiro Comando da Capital (PCC), informaram as autoridades. Sua importância para a organização ficou evidente quando, poucas horas após sua prisão, na manhã de 10 de janeiro, cerca de 40 assaltantes armados atacaram a instalação policial onde Barbosa da Silva estava detido. Inicialmente, eles

A facção PCC e a Covid-19 nas prisões

Diorgeres de Assis Victorio sabe o que ocorre dentro dos presídios: passou parte de sua vida atrás das grades e protagonizou a inesquecível cena na qual integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) mantiveram na ponta de uma faca um agente penitenciário (ASPEN) — ele era o agente.  Reproduzo a seguir alguns trechos de sua autoria publicados na ReVista: The Harvard Review of Latin America : Esses mais de 24 anos imersos em pesquisas prisionais, vivendo dia após dia às vezes durante o dia, às vezes à noite me fizeram aprender muito com seus habitantes. Casos de subnotificação estão ocorrendo, o que me lembra os diálogos que tive com os presos que sobreviveram ao Massacre do Carandiru em 1992, em que policiais militares invadiram uma penitenciária após um motim na prisão, e me informaram que ajudaram a colocar os corpos de mortos dentro dos caminhões de lixo para que o número oficial de mortos apresentados fosse menor. Mesmo antes da decisão judicial, a Terceira Geração do Prime

Escuta telefônica do PCC — um registro histórico

Diálogo entre integrantes do Primeiro Comando da Capital são um registro histórico de como se deu a expansão da facção paulista.  Há exatos quatorze anos, o repórter Fábio Serapião do jornal O Estado de S, Paulo, trouxe a público escutas telefônicas envolvendo presos do Primeiro Comando da Capital. Não é apenas uma reportagem, é um registro de histórico incluído e disponibilizado na Biblioteca Digital do Senado Federal — os diálogos ocorreram em março de 2014. Inimigos do PCC tiveram tempo para fugir, trocar a camisa ou se converter Um dos diálogos ocorre entre Sumô e Taylor e mostra que antes de atacar os inimigos dentro do Presídio de Monte Cristo em Roraima, foi dado um prazo de 40 dias para que os inimigos decidissem deixar o presídio — e 145 aproveitaram para fugir. PCC Sumô (Ozélio de Oliveira) o “geral do estado de Roraima” que estava preso na Casa de Custódia de Piraquara no Paraná, e o PCC Taylor (Diego Mendes de Andrade) que tinha a missão de “pregar a filosofia da fam

A polêmica dança do garoto do PCC com o PM SP

O artista plástico Alex Donis afirma em sua página oficial que suas polêmicas obras objetivam gerar debates nacionais, e se essa foi sua intenção, ele teve sucesso na empreitada. O Museu de Arte de São Paulo (MASP) inseriu sua ilustração que apresenta um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) dançando com um Policial Militar do Estado de São Paulo, no catálogo História da Dança 1 , organizado por curadores da instituição. Além das notas de repúdio e protesto nas redes sociais ligadas aos defensores da “Lei e da Ordem”, a deputada Adriana Borgo (PROS) propôs uma moção de repúdio (191/20) aos organizadores Adriano Pedrosa, Julia Bryan-Wilson e Olivia Ardui Léo Lins. Alex Donis venceu a bancada da bala As notas de protesto e a moção de repúdio coroaram de sucesso a intenção de Alex Donis de escancarar uma questão tabu — a proximidade dos extremos na Segurança Pública. Um policial pode se ver e ser visto como herói, aquele que “protege a sociedade”, assim como um membro d